Discussão de Ideias

Pretende-se com este Blog que ocorram trocas de ideias DENTRO DO POSSÍVEL com o máximo de correcção...

26 abril 2006

25 de Abril sempre???... Não... LIBERDADE SEMPRE...

Passada a data 25 de Abril, apraz-me dizer o seguinte:
Não vale a pena ainda andar a tentar tapar o Sol com a peneira, como que se o 25 de Abril de 1974, tivesse sido o início da liberdade e tenha sido sequer feito com esse fim... Está na altura de começar a dizer a verdade e não continuar com mitos e com heroísmos de quem nunca foi herói e muito menos fez o que fez com intenção de fazer algo heróico...
Se é bom revermo-nos na memoria dos que viveram nos tempos anteriores ao 25 de Abril de 1974, é bom igualmente revermo-nos nas memorias dos que viveram essa data e depois dessa mesma data o 25 de Abril de 75, o “Verão Quente”, o sim heróico 25 de Novembro de 75 e o definitivamente libertador 25 de Abril de 76...
É bom que se diga que os famosos “capitães” que têm a fama de terem feito o libertador 25 de Abril de 74, não o fizeram com o altruísmo de libertar a população do jugo ditatorial em que na realidade se encontrava, mas sim o fizeram a pensar nos seus bolsos e, goste-se ou não, apenas por razões salariais... O que eles nunca julgaram foi serem “apanhados” pelo povo (e por alguns partidos políticos, mais ou menos organizados) o que acabou por transformar um Golpe de Estado em uma Revolução (desorganizada, mas uma revolução)... Revolução essa que caminhou rapidamente para a anarquia e na prática, de novo para uma nova ditadura, só que agora de outra vertente (para não dizer mesmo de uma outra cor)... Ou por acaso acham bem que por todo e qualquer motivo quem se mostrasse contra o que se passava ou contra a desordem reinante fosse chamado e apelidado de “Fascista”, entre outros insultos desagradáveis, ou então que ele, a sua família ou ambos fossem ameaçados ou molestados, se isso é liberdade então eu não sei realmente o que é liberdade...
A Liberdade começa sim a ser construída nas Eleições para a Constituinte em 25 de Abril de 75... Quase perdida no “Verão Quente” e com a terrível perspectiva de uma guerra civil... Heroicamente conquistada com o 25 de Novembro de 75 (que devia ser comemorado e assinalado com pompa e circunstância)... E por fim entrou no bom caminho com as Eleições Legislativas de 25 de Abril de 76... Por isso os 25 de Abril que eu comemoro, são os de 75 e 76 e não o que praticamente toda a gente comemora que é o de 74, pois não vejo vantagem nenhuma em sair de uma ditadura para outra ditadura e para a anarquia...
As Memórias que pretendo Honrar são as dos que FORÇARAM as Eleições Constitucionais de 25 de Abril de 75 (pois havia quem não quisesse que acontecessem), dos HERÓIS que conquistaram com coragem e estratégia a LIBERDADE e o direito à mesma em 25 de Novembro de 75 e que acabaram por permitir as Eleições Legislativas de 25 de Abril de 76 e as restantes Eleições Legislativas e Presidenciais que tivemos e temos tido até hoje...
Por isso não me venham falar em liberdade de expressão antes e depois de 25 de Abril de 74, pois não existia nem existiu antes e logo depois desta data... Começou a ver-se depois de 25 de Abril de 76 com muito medo, se não se ia ofender os “revolucionários” e começou a ver-se e a sentir-se em pleno e de forma mais evidente a partir dos anos 90...
Até nos cravos houve um ataque à liberdade e aproveitamento político... Toda a gente já deve ter visto em reportagens da época que os cravos colocados nas armas eram de duas cores: Vermelhos e Brancos... Mas então porque razão se valorizaram apenas os Cravos Vermelhos e se usaram apenas estes para símbolo da “revolução”??? Será que ninguém consegue imaginar???!!!
É exemplo de liberdade e bem saber governar a maneira como se delapidou património nacional em pouquíssimo tempo logo depois do 25 de Abril de 74???!!!
É exemplo de liberdade e bem saber governar a maneira como se deu a já devida independência às antigas colónias ultramarinas, levando para a desgraça e miséria milhões de indivíduos lá e cá???!!! Criando uma vaga de Retornados e Refugiados (refugiados sim... porque os nascidos e criados lá são refugiados e não retornados como foram e ainda são chamados), criando o desenraizar e mutilação de populações inteiras... Desrespeitando por completo o esforço e sangue dos que lá morreram e lutaram... Pois à excepção da Guine os restantes territórios estavam o suficientemente controlados para se dar uma independência em condições para os novos países de África. E repugna-me e deixa-me revoltado ouvir as desculpas dos intervenientes da altura: “... foi a independência possível...”... Foi a independência possível entregar a minorias DITATORIAIS o controlo e os desígnios de vários povos nos novos países daí nascidos... É isto o exemplo de Liberdade que queriam dar entregando as chefias e governos dos novos países a ditaduras do partido único??? Será que o medo com que o povo de Moçambique se manifesta num discurso da independência perante o incitamento de Samora Machel, já não seria o medo de um povo inteligente que estava a ver a desgraça para que o estavam a conduzir (esse documentário foi mais uma vez mostrado durante o 25 de Abril deste ano)??? O que estaria a ser planeado por alguns dos autores destas independências para o Portugal de depois de 25 de Abril de 74??? De certeza que aquilo que os Heróis do 25 de Novembro de 75 os não deixaram fazer... Impedir a Liberdade de nascer... (Não sou nem retornado nem refugiado por isso estou à vontade para falar...)
Revolta-me é o medo que já começa a haver hoje de expor a nossa revolta e as nossas ideias contra as posições de um governo que se aproveitando da sua posição maioritária se comporta de modo “ditatorial”, atacando os direitos dos indivíduos de uma forma mais grotesca do que seria de pensar hoje em dia. Ou será que ainda ninguém reparou na estratégia que têm de antes de atacar os direitos de uma classe profissional, atacam-na e desacreditam-na na praça publica e quando a opinião pública está contra ela lá vai “facada”, com todos os outros a bater palmas... O pior é quando esse ataque nos bate à porta, aí revoltamo-nos mas já estão todos os outros contra nós... E as pessoas ficam caladas que nem presas amedrontadas, com medo de que lhes possa acontecer alguma coisa... Isto sim eu já começo a ver como um ataque à nossa tão demorada e conquistada Liberdade... (Ai... Se arrependimento matasse...)
Isto já vai longo demais...
Por isso digo “LIBERDADE SEMPRE”
Paulo

07 fevereiro 2006

Aborto... Uma questão a legislar e não uma questão de consciência...

Algum tempo atrás enviei um e-mail ao nosso Primeiro-Ministro, a fim de expor a minha opinião, sobre a problemática do aborto. Deste modo pretendia que se tirasse o assunto da praça publica e se entregasse a quem tem capacidade para o resolver...
Expus o assunto mais ao menos nos seguintes modos:
Venho por este meio expor o meu descontentamento quanto à polémica gerada em torno da problemática do Aborto e expor também a minha ideia (se é que vale de alguma coisa) acerca do tema da legalização/não legalização, despenalização/não despenalização do Aborto.
Compreende-se que quando o Casal ou individuo recorre ao Aborto, fá-lo a maioria das vezes porque sente que não podem(e) ter (ou não querem) esse filho. De qualquer modo...
Não consigo aceitar a pergunta de grande peso sexista e de valor altamente femininista, num estado de direito onde todos os cidadãos independentemente do seu sexo devem ter os mesmos direitos. Mais ainda, quando na nossa constituição estão reconhecidos os direitos iguais entre mulheres e homens (se bem que por vezes difíceis de por em prática). Não vamos agora começar a tirar direito aos homens, quando depois da criança nascida lhes exigimos (e Correctamente) responsabilidades. Sei que ninguém mais que a mulher tem direito ao seu próprio corpo, bem como é no corpo de uma mulher que se desenvolve uma nova ou futura vida Humana (algo que faz parte da nossa natureza animal e que não pode ser alterada). Mas, essa nova vida é de exclusivo direito e responsabilidade dessa mulher? Como se coloca a responsabilidade de o por fim à vida de um “filho” exclusivamente nas mãos das mulheres, como está na pergunta que se pretende levar a referendo. E, se por acaso essas mesmas mulheres decidem levar a gravidez à frente, exigem-se responsabilidades aos pais dessas crianças, sobre as quais nada tiveram a dizer quanto à continuação da gestação/vida desse mesmo “filho” numa fase inicial. Ou seja se devia continuar ou não a gravidez? Só porque segundo a natureza Humana o desenvolvimento de um novo ou futuro Ser Humano se dá dentro do corpo de uma mulher? Compreenderia isso sem problemas se o homem em causa se tivesse desresponsabilizado das suas obrigações. Mas isto não acontece sempre...
Isto foram só uns apartes quanto à questão que se pretende levar a referendo.
Indo agora directamente ao problema em causa que é o Aborto ser ou não um direito. Quanto ao que está na actual lei nada tenho a dizer e bem pelo contrario estou plenamente de acordo com o que lá se define. Quanto ao direito de Abortar fora das actuais restrições impostas pela lei, apraz-me dizer o seguinte: Não é preciso nenhum referendo, nem de por o peso de uma decisão de alto valor ético sobre os ombros dos cidadãos. Não como diz o Partido Comunista Português só porque há uma maioria de esquerda no Parlamento Português, porque não estamos a falar de “feijões” mas sim de algo mais importante que pode e tem a ver com Direitos Humanos. Mas sim porque com um estudo sério, bem conduzido e com isenção, sem o peso de extremismos partidários, religiosos, etc., se pode chegar sem problemas a uma conclusão mais que viável e justa.
O que venho propor, é que se arranje uma equipa de cientistas (entre outros) a fim de definir onde começa a Vida Humana. Pois basta ter um pouco de conhecimentos científicos para se saber que não é logo na concepção que começa a existir o Ser Humano, (pois não podemos chamar a uma “bola” de células de Ser Humano), tendo ainda em conta que esse embrião está de tal modo ainda indefinido, que muitas vezes não sabemos se dali vai resultar uma ou duas vidas (caso por exemplo dos gémeos univitelinos, por isso nos primeiros tempos ainda não há nada definido). Mas possivelmente também não é tão tarde como alguns pensam. Isso já não sei... Por isso essa equipe devia fazer um estudo profundo a fim de se “definir” onde começa a Vida Humana. E aí nada mais a fazer... Um Ser Humano não tem mais direito à vida que outro, muito menos sobre a vida dos outros Seres Humanos, (a Vida é um dos primeiros, senão mesmo o primeiro Direito Humano), pese embora ser um Ser portador de outro dentro do seu corpo, condição natural que não pode ser mudada.
Feito isto, não há mais que promulgar uma lei que permita sem problemas que se faça o Aborto até o tempo determinado para o que se considera o início da Vida Humana. Podendo neste caso a decisão ser exclusiva da mulher que é dona do seu corpo e não está a afectar nenhuma Vida Humana.
Algo em que como é obvio deve haver um maior investimento por parte do governo é numa melhoria da Educação Sexual e que esta chegue obrigatoriamente a todos. Porque se havia altura em que esta problemática tinha razão de se por, isso foi no passado quando havia uma grande falta de informação e ausência ou desconhecimento de métodos anticoncepcionais e as nossas “avós” lá engravidavam de mais um e depois lá vinham as complicações para criar mais um, etc.. Actualmente com a disponibilidade de informação e dos meios, as justificações são cada vez menores para se chegar a vias extremas. E se as pessoas tiverem conhecimento de que podem devido a um acto mal precavido estar grávidas recorrerão ATEMPADAMENTE e dentro do Prazo Legal a local de saúde próprio para resolver o problema da melhor maneira possível. Se esse tipo de “operação” deve ser comparticipada pelo estado ou paga pelos “distraídos” isso já è uma coisa que me ultrapassa...
Agora algo que não podemos como sociedade de direito que somos, é substituir o infanticídio, praticado como “método de planeamento familiar”, até aos dois anos de idade que era feito legalmente no antigo Império Romano, por um infanticídio praticado dentro do útero materno só porque este “Ser” está fora do nosso campo de visão. Nem é lógico e justo pedir-se a um povo para decidir sobre a vida ou não vida de outros possíveis Seres Humanos. Defina-se o que é e onde começa a Vida Humana ou se começa a ser um Ser Humano; desse-lhe o direito que ele tem e desse à mulher o direito que ela tem de decidir Atempadamente se quer ou não ser mãe.
Como pessoa consciente não entro em fanatismos de “Sou a Favor” ou “Sou Contra” só porque me apetece ou só porque só vejo os direitos de umas das partes, mas não me atrevo a decidir sobre o Direito à Vida ou Não Vida dos outros Seres Humanos (pois não sei a partir de que período pode começar a ser considerado como tal), nem de decidir quanto ao direito que uma mulher tem de escolher se quer ser ou não mãe.
Como estado laico que somos, tenha-se a coragem de não enviar as responsabilidades para cima dos outros, seja-se verdadeiramente pioneiro (como já fomos noutras coisas em tempos) e requisite-se a quem de direito e com conhecimentos científicos para tal, um estudo que defina a partir de que altura se passa a ser considerado Ser Humano, e, posto isto legisle-se apenas, atribuindo os direitos que têm os Seres Humanos não nascidos e às mulheres o direito de escolherem ser ou não mães Atempadamente.
Com os melhores cumprimentos,
Paulo

02 fevereiro 2006

Apresentação

Olá,
Chamo-me Paulo, sou professor e julgo que uma pessoa com a cabeça bem “aberta”...
Pretendo com a criação deste Blog criar um meio para que ocorram trocas de ideias...
Abraços,
Paulo

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